Conheci meu marido em 1996, e desde o primeiro momento descobrimos que havia uma grande afinidade entre nós: cachorros. Eu sempre tive companheiros de quatro patas na minha casa, principalmente SRDs. Ele, por sua vez, nunca pôde ter um cão, tendo que se contentar com os de amigos que ele vivia visitando.

Assim, quando casamos em 1998, começamos a procurar por cachorros, sem a idéia de criação ainda. Compramos uma pinscher muito esperta, carinhosa e calma chamada Blink. Ela logo preencheu nosso pequeno quarto e sala com alegria. O único problema era que trabalhávamos muito, passando o dia inteiro na rua. Assim, ela ficava muito tempo sozinha. Resolvemos então ter outra cadela pra lhe fazer companhia.

Foi quando surgiu a oportunidade de comprar uma teckel no mesmo lugar onde havíamos adquirido nossa outra cadela. Ela tinha pedigree e era uma dachshund anã pelo curto arlequim com fundo chocolate a qual demos o nome de Rahne. Ja na gaiola ela nos cativou, e acabamos levando-a para casa. Passado o ciúme inicial da Blink, as duas se tornaram grandes amigas.

O que nos impressionou conforme ela crescia era o seu gênio forte, logo ela já dominara a pinscher, e era extremamente comunicativa. Adorava o contato conosco, enquanto a pinscher preferia caçar uma bolinha pela casa. Quando a Blink finalmente trazia a bola de volta para jogarmos, a Rahne corria, tirava a bola da boca de sua companheira, e a trazia toda contente para nós...poupar energia e mesmo assim conseguir seu objetivo traduz muito bem a raça.

Fora isso, ela sempre tinha uma lambida carinhosa nos esperando e agüentava muito mais as brincadeiras de meu marido, que literalmente rolava no chão com as duas. Depois de algum tempo nessa convivência, conseguimos nos mudar para uma casa com um bom terreno. Entre as providências para a segurança da casa, precisávamos de cachorros maiores, mas que não fossem violentos. Na nossa procura, acabamos por ganhar a labrador Ayla e compramos uma boxer, a Lua. Esta fazia as honras de proteção do lar, por ser muito alegre, ela latia, corria, e pulava no portão, dando a impressão de ser agressiva. Sua cor, branca, ainda confundia, os menos entendidos, de que se tratava de um pit bull, o que assustava quem tivesse más intenções. No entanto, a criançada da rua, que a conhecia, vivia, e ainda vive, fazendo carinhos e brincadeiras com ela.

Percebemos que apesar do tamanho das duas novas adições a família, a pequena dachshund se mantinha no topo da matilha. Ela mandava e desmandava nas companheiras de jardim, e as outras obedeciam. Foi quando tivemos a idéia de criar a raça. Ela tinha o tamanho certo para nosso quintal, tinha um forte temperamento, era robusta e exigia poucos cuidados.

Começamos a freqüentar exposições aqui na nossa cidade, e fazer pesquisas na Internet atrás de criadores da raça. Foi quando conhecemos o canil D'Jaó Dachshund. É um canil de uma cidade próxima (3 horas de carro) que poderíamos visitar e tinha um enorme sucesso com seus cachorros, angariando diversos prêmios.

Entramos em contato com o Sr. Carlos David Lobo Rezende, proprietário do canil e desde o início percebemos o carinho e o amor que ele possui não só pelos seus cachorros, mas também pela raça. Sempre muito franco e prestativo, ele nos ajudou a decidir pela criação de dachshunds standard pelo curto. Fomos então visita-lo, eu e meu marido, sendo muito bem recebidos por ele e por sua adorável família. Lá ele nos mostrou a última filhote de sua ninhada mais recente, que, ao vermos os pais, decidimos comprar. Trouxemos ela para casa, onde se adaptou muito bem.

Decidimos investir então na campanha da filhote preta e canela, a quem demos o nome de Pirotess. Levamos ela para a primeira exposição do ano aqui mesmo em Brasília, e o resultado nos surpreendeu. Em três pistas, dois Melhores de Grupo e uma Reserva de Grupo, competindo com cães que já possuíam títulos. Nesta exposição ela também se sagrou jovem campeã. Isso nos incentivou ainda mais, e fizemos sua campanha, que resultou no título de Melhor Fêmea da Raça pelo ranking Dogshow em 2003.

Ao mesmo tempo começamos a procurar novos exemplares para formar nosso plantel. Compramos uma irmã mais nova da Pirotess, a Gaya, e junto com o senhor João Batista Lenza , proprietário do Canil Alvorada-DF, conseguimos dois exemplares já premiados da linhagem North Lake, famosa linhagem do senhor Luciano Cascão, o Nero e a Tuly. Mais tarde, compramos do próprio Sr. Luciano Cascão a exemplar Java, filha da Tuly.

No decorrer do ano, aproveitamos um cio da Tuly e cruzamos com um cachorro do Sr. Carlos David, DA Readers Guardião das Acácias, que resultou numa excelente ninhada. Não foi surpresa para nós quando na primeira exposição de 2004 em Brasília quase todos os filhotes apresentados ganharam títulos de Jovem Campeões, com apenas 4 meses.

Acabamos por encontrar neste meio, novos amigos como o Sr. Eurípedes Fraga e sua esposa Adriana, donos do Canil Shining Peace com excelente trabalho nas raças Doberman e Terrier Brasileiro, que funcionam como handler, adestradores, conselheiros e confidentes.

Descobrimos nossa paixão pela verdadeira cinofilia, que procuramos expressar ao incentivar amigos e colegas a conhecer a raça, a ver as exposições e a conhecer os criadores de suas raças favoritas.

Descobrimos também a qualidade terapêutica da matilha formada por nós e nossos companheiros de quatro patas, que sempre estão por perto, sempre dispostos a lhe dar carinho, mesmo quando você esta num de seus piores dias. Basta sentar no chão que logo se é atropelado por uma onda de amor incondicional.

Então, diga-me você, caro leitor...eles são ou não o orgulho dos Leões